A rede Favorito Supermercados anunciou que passará a adotar a escala de trabalho 5×2 para seus colaboradores a partir de agosto. A mudança foi comunicada pelo diretor comercial da empresa, Vinicius Gama, em vídeo publicado nas redes sociais. Segundo ele, a decisão foi tomada independentemente das discussões políticas em torno do tema e busca melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, além de tornar a empresa mais competitiva na atração e retenção de profissionais.
De acordo com o executivo, a implantação ocorrerá de forma gradual. Três lojas da rede já passarão a operar integralmente no novo formato a partir de agosto, enquanto as demais unidades serão adaptadas em uma segunda etapa. A empresa não informou quantos funcionários serão alcançados pela mudança nem o prazo previsto para a conclusão da transição em todas as lojas.
A partir do mês de agosto, nós adotaremos a jornada de trabalho 5×2. Independente de votação, independente de eleição, nós entendemos que essa pauta para nós não é sobre política, mas é sobre pessoas”, afirmou Vinicius Gama.
A decisão ocorre em um momento em que o debate sobre a jornada de trabalho ocupa espaço crescente nas discussões públicas e no Congresso Nacional. Atualmente, um dos modelos mais comuns no comércio brasileiro é a escala 6×1, em que o trabalhador atua durante seis dias consecutivos e tem apenas um dia de descanso semanal. A modalidade é amplamente utilizada em supermercados, lojas, farmácias e outros segmentos que mantêm atendimento contínuo ao público.
Nos últimos anos, trabalhadores, sindicatos e especialistas em relações de trabalho têm questionado os impactos desse modelo sobre a saúde física e mental dos profissionais. Entre os argumentos mais frequentes estão a dificuldade de conciliar trabalho e vida pessoal, o pouco tempo disponível para descanso, lazer e qualificação profissional e os efeitos do cansaço acumulado ao longo da semana. Por outro lado, representantes do setor empresarial alertam que uma mudança ampla nas jornadas exige planejamento e pode gerar aumento de custos operacionais, especialmente em segmentos que dependem de equipes numerosas para manter o funcionamento diário.
Ao justificar a adoção da escala 5×2, Vinicius relacionou a medida às transformações observadas no mercado de trabalho. Segundo ele, tem se tornado cada vez mais difícil encontrar profissionais interessados em ingressar ou permanecer em empregos organizados nos moldes tradicionais da CLT, especialmente em setores marcados por jornadas extensas e trabalho aos fins de semana. “A cada ano que passa, a dificuldade em encontrar pessoas que queiram trabalhar no formato atual que nós trabalhamos, da CLT, ela só diminui e, consequentemente, impede que a gente possa prestar um melhor serviço para os nossos clientes”, declarou.
O executivo também destacou que a empresa entende a mudança como um investimento em produtividade. Segundo ele, o debate sobre a organização das jornadas de trabalho não deve ser reduzido a disputas partidárias ou eleitorais, mas tratado como uma oportunidade para discutir novos formatos que atendam às necessidades tanto das empresas quanto dos trabalhadores.
Contexto nacional
O anúncio ocorre enquanto tramita no Congresso Nacional uma proposta de mudança constitucional que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial. O texto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e aguarda análise do Senado. Caso seja aprovado em definitivo, a implementação deverá ocorrer de forma gradual, com um período de transição para adaptação das empresas.
Mesmo reconhecendo que a escala 5×2 não resolve todos os desafios relacionados ao mundo do trabalho, Vinicius Gama afirmou que a mudança representa um passo importante. Segundo ele, o atual modelo de organização das jornadas apresenta limitações que precisam ser discutidas e aperfeiçoadas diante das transformações do mercado e das expectativas das novas gerações de trabalhadores.
" Eu não acredito que a escala 5×2 é a solução por completo, mas nós estamos em uma janela de oportunidade, de discussão, para que a gente possa avançar”, afirmou.
Ao final da publicação, o diretor fez um apelo para que o tema seja debatido de forma menos polarizada. Para ele, a discussão sobre jornadas de trabalho precisa considerar os impactos sobre a produtividade das empresas, mas também sobre a qualidade de vida dos trabalhadores.
Afinal, nós temos um problema. Nós temos um problema no nosso formato de trabalho e isso precisa ser ajustado. É um avanço de produtividade e qualidade para os nossos trabalhadores”, concluiu. No vídeo em que anunciou a mudança, o diretor comercial Vinicius Gama afirmou que a decisão foi motivada pela necessidade de tornar a empresa mais atrativa para os trabalhadores e reduzir a evasão de profissionais para outros formatos de ocupação.
Fonte: Agência Saiba Maia

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