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terça-feira, 3 de maio de 2022

Natal oferece atendimento de excelência à população de rua

 


A Prefeitura de Natal tem oferecido melhor qualidade de vida à população em situação de rua com diversos serviços de inclusão e acolhimento, voltados para esse público, acompanhados pela a Secretaria Municipal do Trabalho e Assistência Social (Semtas), por meio do Centro Especializado para População em Situação de Rua – Centro Pop.  Diariamente, homens e mulheres recebem acompanhamento social, psicossocial e de saúde, além de terem garantida alimentação, higiene pessoal e repouso, em atendimentos individual e coletivo.

No espaço também são realizadas oficinas terapêuticas, atividades de convívio e socialização. A saúde dos moradores de rua é uma das preocupações da equipe multidisciplinar que acompanha o Centro Pop, e na quinta-feira (28), mais de 100 assistidos receberam o consultório de rua, que levou atendimento médico clínico aos usuários.  A ação acontece mensalmente. 

De acordo com a secretária da Semtas,  Ana Valda Galvão, essas atividades  fazem parte do planejamento anual da unidade. "O nosso papel é cuidar e acolher essas pessoas realizando encaminhamentos e acompanhamento que possibilitem o processo de saída da rua destes usuários. O município oferece diversos serviços para esse público. Essas parcerias, atendimentos e acesso à saúde são ações continuadas que desenvolvemos, além disso oferecemos cursos profissionalizante para encaminhá-los para o mundo do trabalho”, afirmou.

As atividades são possíveis por meio da  rede de proteção socioassistencial, através do Serviço Especializado de Abordagem Social (Seas), que nos dois turnos, atuam nos territórios da cidade todos os dias. O Seas trabalha com o método de abordagem e busca ativa, identificando a incidência de situação de rua, trabalho infantil e exploração sexual de crianças e adolescentes, entre outras situações de vulnerabilidade.

A proposta do Seas é construir o processo de saída das ruas e possibilitar as condições de acesso à rede de serviços e benefícios assistenciais; identificar famílias e indivíduos com direitos violados, a natureza das violações, as condições em que vivem, as estratégias de sobrevivência, procedências, aspirações, desejos e relações estabelecidas com as instituições e promover ações para a reinserção familiar e comunitária. 

Consultório de Rua 

Pertencente ao Sistema Único de Saúde (SUS), o Consultório na Rua é um serviço que cuida da população em situação de rua. Atualmente o serviço possui uma equipe multidisciplinar, ou seja, formada por profissionais de diversas áreas como enfermeiros, médicos, psicólogos, agentes de saúde e dentistas.   

Para a coordenadora do consultório de rua, Fabiana de Morais, "trabalhamos com a ampliação do cuidado para as pessoas em situação de rua, buscando efetivar a equidade, a garantia de direitos e o acesso aos serviços de saúde. Somos um elo entre a atenção primária de saúde, usuário (pop rua) e a rede de serviços”, comentou.

segunda-feira, 2 de maio de 2022

Prefeitura de Natal realiza ações esta semana em alusão ao Dia do Trabalhador

 



A Secretaria Municipal do Trabalho e Assistência Social (Semtas), realiza uma série de ações em  referência ao Dia do Trabalhador, comemorado no último domingo (01).  As atividades alusivas à data se desenvolvem nesta primeira semana de maio, com o objetivo de gerar oportunidades de emprego e renda para a população e realizar atualização do cadastro de jovens e adultos no Sine, aumentando desta forma suas chances de empregabilidade.

Segundo a titular da Semtas, a secretária Ana Valda Galvão, a realização das atividades contribuirá para evidenciar o compromisso social do poder público municipal com a inserção de jovens e adultos no mundo do trabalho. “A juventude e toda população precisa ter conhecimento do que ofertamos no centro municipal de trabalho e empreendedorismo, queremos contribuir para o desenvolvimento econômico da cidade. Essa é uma ótima oportunidade de buscar o primeiro emprego ou até mesmo ser inserido novamente nesse meio, estaremos esperando na próxima semana todos vocês trabalhadores na nossa unidade do alecrim para darmos andamento às nossas atividades. Teremos diversas ações durante a semana com foco inclusivo no trabalhador”, concluiu

As ações são voltadas para orientação profissional e social para o trabalhador, atualização do cadastro de profissionais no Sine Municipal, captação de novas vagas e disponibilização das vagas. Na terça-feira (03) acontecerá um café com os empresários e uma palestra sobre vendas nas principais mídias sociais. Além disso, a Secretaria realiza no decorrer deste mês a entrega de certificados para os alunos concluintes dos cursos de qualificação profissional. 

“Vai ser uma semana de muito aprendizado e oportunidades para os natalenses que desejam ser inseridos no mundo do trabalho”, destacou a diretora do departamento de desenvolvimento e qualificação profissional, Renata Araujo. 

Programação da campanha foco no trabalhador 

segunda-feira (02): Mutirão do Trabalhador

Abertura do evento às 8h 

Local: CMTE Alecrim 

Serviços ofertados: atualização do perfil no SINE, informações sobre o app Sine Fácil verificação de vagas; orientação profissional e social.

Encerramento do mutirão às 18h 

Terça-feira (03)

Café Sine  às 08h30 com apresentação dos serviços do SINE + Palestra com André Torquato sobre Marketing Digital

Nos dias 04 à 06/05 serão realizados entrega de certificados qualificação profissional a 300 alunos (CMTE Alecrim e Norte e instituições parceiras).

domingo, 1 de maio de 2022

1º de Maio é marcado por atos pró-Lula e pró-Bolsonaro

 


Após polêmica, Lula pede desculpas a policiais em evento com centrais sindicais em SP; Bolsonaro entra ao vivo por telão na Av. Paulista e diz que manifestações são em defesa da “Constituição, família e liberdade”

O feriado do 1º de Maio, Dia do Trabalhador, foi marcado por atos em favor de Jair Bolsonaro (PL) e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os eventos começaram ainda pela manhã e o público começou a dispersar no fim da tarde.

Lula discursou no ato das centrais sindicais na praça Charles Müller, em São Paulo, em frente ao estádio do Pacaembu. Além de defender suas realizações como presidente e criticar Bolsonaro, o petista também pediu desculpas aos policiais por um comentário que havia feito no sábado (30), quando disse que Bolsonaro “não gosta de gente, gosta de policial.

“Eu queria dizer que Bolsonaro só gosta de milícia, não gosta de gente, e eu falei que ele só gosta de polícia, não gosta de gente. Quero aproveitar para pedir desculpas aos policiais deste país, porque muitas vezes eles cometem erros, mas muitas vezes salvam muita gente do povo trabalhador. E temos que tratá-los como trabalhadores desse país”, disse Lula.

Bolsonaro, por sua vez, participou por uma transmissão ao vivo do Palácio do Alvorada de um ato em favor do governo federal na av. Paulista, em São Paulo.

“Uma satisfação muito grande nessa manifestação pacífica e todas as demais em defesa da Constituição, da família e da liberdade”, disse o presidente na exibição, aplaudida pelo público presente na capital paulista.

Na fala direcionada ao público da Av. Paulista, Bolsonaro substituiu o termo “democracia” por “família”: é que mais cedo, quando participou da manifestação com apoiadores em Brasília, o presidente disse que sua participação era em “defesa da Constituição, democracia e liberdade”.

Alguns dos atos pró-Bolsonaro tiveram alguns cartazes com ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e aos ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso. O presidente não fez nenhuma menção ao Supremo em suas falas neste domingo.

O deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ), condenado pelo STF e que recebeu perdão de Jair Bolsonaro, foi às manifestações em Niterói (RJ), no Rio de Janeiro e São Paulo, onde recebeu apoio de manifestantes. Na capital fluminense, Silveira disse que estava armado.

Ciro Gomes diz que trabalhadores estão sendo “maltratados”

Outro pré-candidato à Presidência que participou de um evento sobre o Dia do Trabalhador foi Ciro Gomes (PDT), na sede nacional do partido, em Brasília. O ato promoveu uma homenagem ao centenário do fundador do PDT, Leonel Brizola.

“Estamos falando da esmagadora maioria da força de trabalho do Brasil, ou no aberto desemprego, ou na mais selvagem informalidade”, afirmou Gomes.

“Os trabalhadores, que já tiveram parte de seus direitos subtraídos no governo Temer, encontram-se mais do que nunca maltratados, abandonados e humilhados”, declarou Ciro.

Ciro questionou ainda os legados da gestão Lula.” Quando eu vejo o exagero apressado com que se diz: ‘Lula o maior presidente da história’. Qual é a CLT do Lula? Qual é a Petrobras do Lula? Qual é o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico do Lula? Qual é a Vale do Rio Doce do Lula? Qual é a CSN do Lula?”, perguntou.

Tebet, Doria e d’Ávila também se manifestam sobre o Dia do Trabalhador

A senadora Simone Tebet, pré-candidata do MDB à Presidência, homenageou “as trabalhadoras e os trabalhadores, assalariados, por conta própria, funcionários e empreendedores do Brasil”, que “constroem o nosso país”.

“Minha caminhada é uma caminhada pelo trabalho digno para todos os brasileiros. Pela comida barata na mesa das famílias. Pela estabilidade e pela segurança de filhos e país. Não há solução para problemas tão grandes quanto o desemprego, a fome, o desalento e a carestia como temos hoje no nosso país quando se tem um presidente da República que é insensível ao sofrimento das pessoas”, disse Tebet.

Já o tucano João Doria publicou um vídeo nas suas redes sociais com críticas ao desemprego no país.

“Hoje é o Dia Mundial do Trabalho. Mas, infelizmente, para quase 30 milhões de brasileiros e brasileiras, não há nenhum motivo para comemorar. Estão desempregados, o mais grave problema do país no momento. Muitos desempregados e passando fome”, disse o ex-governador de São Paulo.

O pré-candidato do partido Novo, Luiz Felipe d’Ávila, também falou sobre o 1º de Maio nas suas redes sociais. Disse expressar “indignação com essa conta que não fecha ao brasileiro. São meses trabalhando para pagar impostos sem melhoria na prestação de serviço”, escreveu.


*Com informações de Marcelo Tuvuca, Luana Franzão, Douglas Porto, Gabriela Ghiraldelli e Bárbara Brambilla, da CNN

A Prefeitura do Natal promove, neste domingo (1º), mais uma edição do Ciclo Natal.

 


🕊 Em parceria com a Universal Peace Federation (UPF) e Unimed, a Peace Road é um pedal solidário para propagar a cultura da paz, chamando a atenção para esse assunto tão importante e necessário.

🚴 O evento contará com a participação especial do ciclista amazonense Valdeni Pinheiro Alves, embaixador da paz da UPF, que está percorrendo o país de bike com o projeto Pão Solidário.

🚲 Ao final do pedal haverá a entrega da bandeira da Peace Road para as autoridades e uma oração pela paz mundial, além de apresentações culturais e aulão de dança. A concentração começa às 15h, na Escadaria de Mãe Luiza, com destino à Feirinha de Ponta Negra.

👉 Chame seus amigos e familiares, participe conosco desse momento tão simbólico! #PrefeituradoNatal #NatalRN #CicloNatal


Fonte: Redes Sociais.


DANIEL SILVEIRA: CONHEÇA AS CONDUTAS DO DEPUTADO AGRACIADO COM O PERDÃO DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA; ENTENDA O CASO E A CRONOLOGIA ATÉ CHEGAR AO JULGAMENTO E AO INSTRUMENTO DA GRAÇA CONSTTUCIONAL.

 

O conturbado passado de Daniel Silveira

Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, incitação à violência contra os ministros da Suprema Corte, incitação à animosidade entre as Forças Armadas e o Supremo Tribunal Federal (STF). Por esses e outros crimes, o deputado Daniel Lucio da Silveira, natural de Petrópolis, no Rio de Janeiro, foi condenado a oito anos e nove meses de cadeia pelo plenário do Supremo em 20 de abril.

A condenação se deu no quarto ano de seu primeiro mandato como deputado federal pelo mesmo estado onde nasceu. Durante o julgamento, um fato chamou a atenção dos ministros Luís Roberto Barroso e Cármen Lúcia: Daniel Silveira (PTB-RJ) não era julgado por uma ação isolada. Ataques à democracia e à Suprema Corte configuram um comportamento recorrente ao longo de seu mandato como parlamentar.

Ataques verbais, e em alguns casos físicos, a instituições e pessoas que o desagradam se tornaram uma marca registrada de seu mandato. A postura agressiva e o discurso antagônico à ordem democrática, porém, são características  que antecipam a sua carreira política.

De policial a deputado

Antes de ser candidato a deputado, Daniel Silveira fez sua fama nas redes sociais durante os anos em que serviu à Polícia Militar do estado do Rio de Janeiro (PMERJ), onde foi incorporado a partir de 2013. Antes disso, era cobrador de ônibus, função que, em 2007, lhe rendeu um boletim de ocorrência na Polícia Civil em Petrópolis. A polícia havia descoberto seu envolvimento em uma fraude na produção de atestados médicos, que foram utilizados para se ausentar por um mês do serviço.

O boletim de ocorrência chegou a atrasar em dois anos sua entrada na polícia, onde foi aprovado em concurso em 2011. Sua efetivação se deu apenas mediante a entrada de processo administrativo na Justiça do Rio de Janeiro. Em 2016, prescreveu o inquérito envolvendo a fraude de atestados, o que permitiu sua efetivação na PMERJ.

Sua atuação como policial não foi menos problemática do que o capítulo anterior de sua vida.

 Em seu próprio canal no Youtube, confessou ter sido preso ao menos 90 vezes durante sua carreira como policial. Segundo um boletim interno da PMERJ vazado pelo portal The Intercept, 80 dessas prisões e detenções ocorreram entre os anos de 2013 e 2017, tendo ocorrido por episódios de insubordinação.

O documento indica como “cristalina sua inadequação ao serviço militar, mesmo tendo recebido inúmeras oportunidades, confirmando ineficiência do caráter educativo”. Ainda aponta para o seu primeiro episódio conhecido de ataques à imprensa. “Fica transparente (…) a conduta desviante do revisionado, na medida em que postou vídeos em sua página pessoal da rede social Facebook, em desfavor da imprensa nacional de uma forma geral, em alguns deles durante a execução do serviço, fardado e no interior da viatura, erodindo preceitos éticos em vigor na Polícia Militar”.

Ao final de 2017, em meio à sua carreira de desvios, Daniel Silveira começou a reforçar suas aparições na internet, tentando moldar a sua imagem de defensor dos policiais militares. No ano em questão, estava alocado no 15º Batalhão de Polícia Militar, no município de Duque de Caxias.

 Tratava-se do segundo batalhão de maior letalidade no estado do Rio de Janeiro, totalizando ao menos 89 vítimas entre janeiro e dezembro.

O comandante do batalhão, Sergio Porto, foi flagrado incentivando seus subordinados a continuar agindo de forma violenta. Daniel Silveira não demorou para se pronunciar em sua defesa.

 “Para mim, é bom. Quanto mais bandidos forem presos ou mortos, melhor para mim. (…) O tenente-coronel Porto nada menos é do que um policial herói. (…) Eu garanto a você que a maioria dos cidadãos de bem aplaudem o coronel Porto pelo que ele está fazendo”, declarou em seu canal no Youtube. Anos depois, confessou em entrevista à revista Piauí ter matado ao menos 12 pessoas durante seu serviço à PMERJ.

No mesmo vídeo, atacou os veículos de imprensa que noticiaram o vazamento das mensagens em que Porto comemorava o elevado número de mortes em ações policiais de seu batalhão. “Me vem a Rede Globo, com aquele sensacionalismo barato, aqueles repórteres baratos, (…) para tentar dizer que ele incentiva a morte, que ele incentiva que policiais matem. (…) Rede Globo é uma porcaria de emissora, William Bonner é uma porcaria de repórter, e tantos outros são iguais”, declarou. No mesmo vídeo, relatou já ter respondido para a corregedoria da PMERJ por ataques verbais à emissora.

O crescimento de seu alcance nas redes sociais coincidiu com o início da campanha presidencial de Jair Bolsonaro (na época, no PSL), criando terreno fértil para que entrasse na disputa eleitoral. Durante as eleições, ocorreu o fato que o alavancou nas pesquisas: junto ao candidato a deputado estadual Rodrigo Amorim e ao candidato a governador Wilson Witzel, Daniel Silveira partiu ao meio uma placa em homenagem à falecida vereadora Marielle Franco na praça da Cinelândia. A foto do ocorrido explodiu na internet, e garantiu sua vitória pelo PSL.


Agressividade no parlamento

Uma vez eleito, não demorou para Daniel Silveira deixar o recado de como seria seu mandato. Faltando mais de um mês para sua posse, entrou sem autorização da diretoria no Colégio D. Pedro II, em Petrópolis, tumultuando a entrada da unidade.

 O deputado afirmou estar lá para debater a distribuição de emendas parlamentares. A diretora, Andréa Nunes, já afirmou que sequer conhecia o aspirante a parlamentar, e nunca o convidou.

Insatisfeito com o incidente, Silveira divulgou um vídeo em seu perfil no Facebook afirmando que, como parlamentar, teria o direito de entrar em qualquer ambiente sem ter permissão. Disse que retornaria, com o intuito de fiscalizar o colégio em busca de provas de “doutrinação ideológica”, e que era hostilizado por Andréa Nunes não por conta de sua intromissão, mas sim por conta de sua “vertente conservadora que combate a ideologia socialista comunista”.

Somente em fevereiro de 2022 que Daniel Silveira respondeu por seu abuso de autoridade e pelas diversas ofensas lançadas contra a diretora. O Tribunal de Justiça de Petrópolis o condenou a pagar uma indenização de R$ 20 mil a Andréa Nunes, bem como a remover o vídeo do ar e pagar R$ 4 mil em custos processuais.

Depois de empossado, Daniel Silveira novamente buscou uma intriga: desta vez contra seus próprios colegas de partido. Em seu primeiro discurso em plenário, declarou que observaria o comportamento de todos os demais parlamentares do PSL, afirmando que a legenda contava com um grande número de deputados que se aproveitaram da popularidade de Bolsonaro para subir ao poder. “Muita gente veio na onda PSL, uma onda mentirosa. Pensam que estão acima de todos, e não estão. Estamos observando”, concluiu.

A partir de outubro, seu temperamento violento tornou a ocupar as páginas do noticiário. Desta vez, não por seu discurso, mas por sua ação. No Anexo II da Câmara dos Deputados, o jornalista Guga Noblat o questionou sobre as “vistorias” ao Colégio D. Pedro II e sobre o vandalismo envolvendo a placa em homenagem a Marielle Franco. Em resposta, Daniel Silveira arremessou o celular do repórter no chão e o xingou. “Arremessei, e aí irmão? (…) Te bati, babaca. Vai lá no STF e me processa, otário”, declarou durante o episódio. A agressão, por sinal, foi filmada por outras pessoas presentes no anexo e um dos vídeos capturou o momento em que o celular quicou no chão.

Guga Noblat chegou a abrir processo na justiça contra Daniel Silveira pela agressão. O caso foi julgado no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), onde o relator Edilson Enedino das Chagas considerou que faltava comprovação do dano causado ao celular, além de culpabilizar o jornalista pelo ocorrido, afirmando que a postura violenta teria sido consequência de provocações contra o deputado.

Fake news e atos antidemocráticos

Em abril de 2020, em meio aos primeiros casos da covid-19 no Brasil, uma série de manifestações ganharam espaço em Brasília, pedindo a implementação de um novo AI-5 (decreto do regime militar que suspendia liberdades civis) e uma intervenção militar em resposta à implementação nos governos estaduais de medidas de isolamento social e fechamento do comércio para impedir o avanço da doença.

Os atos, que também levantavam cartazes e palavras de ordem contra o funcionamento do STF e contra o mandato do até então presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, receberam amplo apoio do presidente Jair Bolsonaro e de parte de seus aliados. Entre eles, Daniel Silveira.

 Não demorou para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) instaurasse um inquérito para investigar quem financiava esses atos, e o deputado estava entre os investigados.

No decorrer da investigação, outro fato chamou a atenção da PGR e do STF: no Congresso Nacional, a chamada CPMI das Fake News percebeu indícios de vínculo entre os atos antidemocráticos e a produção de disparos em massa de mensagens e publicações nas redes sociais de notícias falsas buscando prejudicar opositores a Jair Bolsonaro.

 O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, arquivou o inquérito dos atos antidemocráticos e abriu um novo inquérito para investigar a máquina de fake news.

Prisão em exercício

Em meio a um cerco judicial decorrente do inquérito das Fake News, Daniel Silveira aumentou a frequência dos ataques ao STF em suas redes sociais: a Suprema Corte passou a ser seu assunto preferido em seus vídeos no Youtube, competindo apenas com ataques direcionados ao governador de São Paulo, João Doria, uma das vozes antagônicas ao governo Bolsonaro.

Sua produção de vídeos atacando rivais do governo durou até 15 de fevereiro de 2021, quando o ministro Edson Fachin criticou o ex-comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, por conta da pressão realizada por este no julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula, decisão da suprema corte que o afastou da corrida presidencial em 2018.

Se até então os ataques de Daniel Silveira aos ministros do STF se limitavam a ofensas, a partir dali ele já passava a falar em violência contra os magistrados. Ao ministro Edson Fachin, disse em seu canal que “qualquer cidadão que conjecturar uma surra bem dada nessa sua cara com um gato morto até ele miar, de preferência, após cada refeição, não é crime”. Ainda disse que “várias e várias vezes já te imaginei tomando uma surra”, e que não seria crime premeditar a violência contra ele ou aos demais ministros.

No dia seguinte, Alexandre de Moraes determinou sua prisão preventiva em flagrante delito. Esta seria apenas a sua primeira prisão enquanto deputado, e o início da ação penal que resultou, um ano depois, em sua condenação no plenário da Suprema Corte.

Ação penal

O vídeo com as sucessivas incitações à violência contra o STF foi apagado do Youtube, e por ordem judicial, Daniel Silveira passou os meses seguintes no decorrer do processo proibido de falar com a imprensa e de se manifestar nas redes sociais. As restrições legais, porém, não o impediram de protagonizar novos episódios de conflito com o Supremo. Desta vez passou a atacar nominalmente o ministro Alexandre de Moraes.

Sua prisão preventiva se encerrou no dia 14 de março de 2021, quando foi substituída por uma prisão em regime domiciliar, com o uso de tornozeleira eletrônica. No dia 24 de junho, tentou romper o lacre da tornozeleira, ficando novamente preso até o mês de novembro, quando foi solto e autorizado a falar novamente com a imprensa, mas ainda impedido de produzir conteúdo nas redes sociais e de participar de eventos.

Em março de 2022, Daniel Silveira violou sua restrição, participando de um evento político junto ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no Paraná, onde novamente se pronunciou atacando o STF.

 Desta vez não foi preso, mas Alexandre de Moraes determinou que voltasse a utilizar tornozeleira eletrônica, e restringiu seu trânsito para os estados do Rio de Janeiro e Distrito Federal.

Desta vez, Daniel Silveira subiu à tribuna para dizer que não cumpriria a decisão judicial. E para escapar da determinação, refugiou-se na Câmara dos Deputados, alternando entre seu gabinete e o plenário da Casa, fora da jurisdição da Polícia Federal. O desafio ao judiciário durou pouco: no dia seguinte, Alexandre de Moraes determinou uma multa de R$ 15 mil por dia de descumprimento, levando o deputado a mudar de ideia.

Julgamento

Daniel Silveira evitou falar em público até o dia de seu julgamento no STF, no último dia 20. A decisão foi, por 10 votos a 1, pela condenação. O único ministro que votou pela sua absolvição foi o ministro Nunes Marques, um dos dois magistrados indicados por Jair Bolsonaro e revisor do processo.

 Até mesmo André Mendonça, nome indicado pela ala ideológica do governo, votou pela condenação.

Daniel Silveira preferiu assistir de longe o julgamento. Enquanto os ministros se organizavam no plenário para dar início à leitura do relatório e de seus respectivos votos, o deputado saía de Brasília, e partia em direção à sua casa, em Petrópolis. 

 Minutos antes, porém, novamente se pronunciou pelo fechamento do STF. No dia seguinte, sua pena foi anulada por Jair Bolsonaro, que lhe concedeu graça constitucional.


Fonte: Congresso em Foco

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