são gonçalo

são gonçalo

Pesquisar este blog

quarta-feira, 27 de abril de 2022

PF faz buscas na investigação sobre compra de respiradores

 

A Polícia Federal deflagrou uma operação batizada ‘Cianose’ para investigar supostas irregularidades na compra de 300 ventiladores pulmonares pelo Consórcio Nordeste durante a primeira onda da pandemia da covid-19. A PF calcula que os desvios podem alcançar R$ 49 milhões. O governador da Bahia, Rui Costa (PT), é investigado, mas não foi alvo da operação. A compra envolve R$ 5 milhões que foram destinados pelo governo do Rio Grande do Norte ao Consórcio para adquirir respiradores que seriam usados em unidades hospitalares do Estado. Os equipamentos nunca foram entregues nem o dinheiro devolvido.

Agentes cumpriram ontem 14 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo, no Rio de Janeiro e na Bahia. As ordens foram expedidas pelo Superior Tribunal de Justiça e as diligências contaram com a participação de auditores da Controladoria Geral da União. Não há governadores entre os alvos da ação. Em Salvador, informou o portal G1-BA, a operação foi cumprida em um prédio de luxo no Corredor da Vitória e em outros prontos. Um dos alvos dos mandados foi Bruno Dauster, ex-secretário da Casa Civil do governador Rui Costa (PT) . Por meio de nota, o ex-secretário Bruno Dauster considerou a ação "extemporânea e desnecessária".

De acordo com a Controladoria-Geral da União, os investigadores identificaram um suposto esquema envolvendo lobistas, empresários, agentes públicos e empresas que atuavam, principalmente, na Bahia e em São Paulo.

Os investigadores suspeitam de crimes de estelionato em detrimento de entidade pública, dispensa de licitação sem observância das formalidades legais e lavagem de dinheiro.

De acordo com a PF, as apurações se debruçam, principalmente, sobre o pagamento antecipado do contrato de fornecimento dos respiradores, em valor integral, sem garantia contra eventual inadimplência por parte da empresa contratada. A corporação diz que nenhum respirador foi entregue.

O acordo foi fechado em abril de 2020 e ficou definido pelos integrantes do Consórcio que, cada Estado da região Nordeste receberia 30 equipamentos – com exceção da Bahia, que ficaria com 60 respiradores.

O processo, por meio de dispensa de licitação, foi formalizado pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia. Em auditoria, a CGU diz ter identificado que não constava do procedimento justificativa para escolha da empresa, que se dedicava à comercialização de medicamentos à base de Cannabis. O órgão também afirmou não ter encontrado ‘qualquer comprovação de experiência ou mesmo capacidade operacional e financeira para cumprir o contrato’.

A auditoria também questionou o fato de o pagamento ter sido realizado de forma antecipada, no valor de quase R$ 49 milhões, ‘sem as devidas garantias contratuais e sem observar as orientações da Procuradoria Geral do Estado’.

A CGU diz que os respiradores nunca foram entregues e que o contrato foi rescindido sem que houvesse a restituição da quantia paga, ‘resultando no prejuízo aos cofres públicos correspondente ao valor integral contratado (R$ 48.748.575,82)’.

Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos ontem por decisão do ministro do Superior Tribunal de Justiça Og Fernandes.

Assembleia 

A Operação Cianose repercutiu ontem na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. O deputado Kelps Lima (SDD), que presidiu a CPI da Covid-19, voltou a cobrar a saída do RN do Consórcio Nordeste. 

“Já está mais que provada a roubalheira do Consórcio Nordeste, órgão que funciona exclusivamente para operações duvidosas e do qual o RN, de forma vergonhosa, ainda faz parte. Venho mais uma vez solicitar à governadora Fátima a retirada do Estado desse Consórcio ou, no mínimo, um pedido pela retirada do senhor Carlos Gabas”, disse Kelps Lima.

Para participar do Consórcio, segundo Kelps, o Governo Fátima paga quase R$ 1 milhão por ano para a entidade.

A CPI apontou o desvio de recursos dos respiradores. A comissão, que foi instalada em agosto e encerrada em dezembro de 2021, ouviu 78 pessoas, somados a 192 ofícios expedidos e centenas de arquivos analisados. Ao final, a CPI pediu indiciamento da governadora do RN, Fátima Bezerra, e do governador da Bahia, Rui Costa, por suposta improbidade administrativa, além de dois ex-ministros dos governos do PT, Edinho Silva e Carlos Gabas, outros agentes públicos e empresários.

Governador diz estar ansioso para a conclusão do processo 

O governador da Bahia, Rui Costa, lamentou — em declaração ao portal G1-BA — a condução do processo na Justiça e comparou com uma ação judicial nos Estados Unidos, também sobre uma compra frustrada de respiradores, mas que já foi julgado e finalizado.

"Não tem ninguém mais ansioso do que eu para que esse processo avance e se conclua. Nós temos que demonstrar e comparar. Tivemos dois processos de compras frustrados. Um de uma empresa americana e outro de um grupo no Brasil. A do processo na Justiça americana, o estado já teve o dinheiro de volta. Na Justiça brasileira se arrasta há quase dois anos. [...] Queremos a conclusão disso e quem está culpado vá para o xilindró", disse.

O governador ainda criticou o Ministério Público e o judiciário baiano por concederem liberdade para os empresários presos durante uma operação da Polícia Civil da Bahia contra a Hempcare.

Em nota, o Consórcio Nordeste diz "foi vítima de fraude por parte de empresários que receberam o pagamento e não entregaram os aparelhos".

O Consórcio afirma ainda que foi o responsável pela denúncia e que segue aguardando a apuração do crime, o julgamento e a punição dos responsáveis, além da devolução do dinheiro aos cofres dos respectivos estados. Atualmente, o Consórcio é presidido pelo governador de Pernambuco, Paulo Câmara.

De acordo com o STJ, o ministro Og Fernandes determinou a realização de buscas e apreensões de documentos, equipamentos e valores em desfavor de diversos investigados após pedido de aprofundamento das investigações apresentado pela PF, e chancelado pelo Ministério Público Federal. Segundo o STJ, o objetivo é "desvendar aparente engrenagem criminosa com diversas ramificações e envolvimento de grande número de pessoas, inclusive autoridades públicas".

Ainda segundo o tribunal, o inquérito do caso tramita sob sigilo no Superior Tribunal de Justiça (STJ), e diz respeito à Operação Ragnarok, deflagrada em 2020 pela Polícia Civil da Bahia. O STJ diz ainda que foram requisitadas informações de natureza pública da agenda de autoridades do estado da Bahia e autorizado o compartilhamento com a Controladoria-Geral da União (CGU) das informações obtidas a partir das medidas decretadas.

Ainda segundo o Superior Tribunal de Justiça, o ministro Og Fernandes considerou a medida "imprescindível em razão da necessidade de assegurar a preservação das provas, uma vez que se trata de ilícitos praticados por pessoas com conhecimento jurídico, entre os quais lavagem de capitais que, em sua própria essência, envolve a ocultação da natureza, origem e localização de recursos financeiros".


 Fonte: Tribuna do Norte

3ª. guerra mundial a caminho.

 

A Rússia aumenta intensidade dos ataques e a Ucrânia se arma com ajuda da OTAN.

De conflito localizado, a guerra Ucrânia x Rússia, vai ganhando novos capítulos e a cada dia, aumentam  as tensões.

A Rússia envia avisos aos países e afirma que não está mais em guerra somente com a Ucrânia e  sim, com a OTAN.

Entendam o caso: com a OTAN armando a Ucrânia, a Rússia está entendendo que a guerra está sendo do Ocidente contra a Rússia, por procuração; 

A Rússia cortou o fornecimento de gás a alguns países do ocidente, teve o aumento das sançoes econômicas impostas à ela, a OTAN aumenta as ajudas com armamentos à Ucrânia, a ameaça com armamentos nucleares tem aumentado, as ofensivas russas também tem crescido.

A guerra chega a um momento de tensionamento total e pelo que os geopolíticos estão analisando, a 3ª guerra está prestes a estourar nos próximos capítulos.


terça-feira, 26 de abril de 2022

CARNAVAL - Grande Rio é campeã pela 1ª vez no Rio SÃO PAULO Mancha Verde vence Carnaval pela 2ª vez.

 


 Grande Rio leva título pela primeira vez e é campeã no Rio de Janeiro

Enredo “Fala, Majeté! As Sete chaves de Exu!” desmistificou o senso comum sobre Exu, um dos orixás mais louvados das religiões de matriz africana

O grito de “é campeã” das arquibancadas se concretizou. A Grande Rio, de Duque de Caxias, Baixada Fluminense, conquistou o título inédito de campeã do Carnaval do Rio de Janeiro. O enredo “Fala, Majeté! As Sete chaves de Exu!” desmistificou o senso comum sobre Exu, um dos orixás mais louvados das religiões de matriz africana.

A agremiação já quase conquistou o posto em 2020, 2010, 2007 e 2006, ficando em segundo lugar. A disputa foi com a Beija-Flor, de Nilópolis, por décimos.

Na comissão de frente, o ator Demerson Dalvaro, que interpretou o orixá na Sapucaí, hipnotizou o público ao subir em um globo terrestre. Na apuração, a escola garantiu a nota 10 de todos os jurados.

A escola também manteve a nota máxima em nos demais quesitos, fantasia, harmonia, bateria, samba-enredo, alegoria e adereços, enredo e mestre sala e porta-bandeira.

O desfile seguiu enérgico e vibrante, assim como Exu. A apresentação destacou o poder de transformação, a bondade e a força do orixá. Entre os fiéis da Umbanda e Candomblé, Exu é responsável por abrir os caminhos, superar dificuldades e ajudar a alcançar os objetivos. No entanto, por ser representado com roupas pretas e usar um tridente, aqueles que não tem familiaridade, associam sua imagem a algo ruim, à maldade.

O desfile encerrou com um pedido de combate à intolerância religiosa. Um carro alegórico carregava a mensagem: “Exus, a Sapucaí é vossa!”.

A  cerimônia de apuração, que teve início com cerca de 30 minutos de atraso na Praça da Apoteose, foi comandada pelo presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Jorge Perlingeiro, que anuncia as notas há pelo menos 30 edições do carnaval carioca.

A última campeã é a Viradouro, que levou o título de melhor escola de samba no Carnaval de 2020, após 23 anos sem ganhar. Em 2021, devido à pandemia de Covid-19, não houve desfile das escolas de samba.

Neste ano, as autoridades decidiram realizar o evento em abril, considerando que em fevereiro o cenário epidemiológico não estava propício devido à variante Ômicron do coronavírus.

São Clemente rebaixada

Apesar de muito aguardada, a São Clemente obteve a menor pontuação e foi rebaixada para a Série Ouro. O enredo, que homenageava ao ator Paulo Gustavo, que morreu no ano passado por complicação da Covid-19, não foi bem executado. O quesito recebeu nota 9,6 de todos os jurados da categoria. A escola também foi descontada no samba-enredo. Além disso, houve vários erros nos quais houve desconto de pontos, como acabamento de carros e fantasias. Os quesitos fantasias e alegoria e adereços tiveram média de 9,7.

Apuração

Os 45 jurados escolhidos pela Liesa se baseiam no Manual do Julgador para avaliar as escolas de samba na competição, sendo cinco para cada um dos nove quesitos em análise: bateria, samba-enredo, harmonia, evolução, enredo, alegoria e adereços, fantasia, comissão de frente, além de mestre-sala e porta-bandeira.

São desconsideradas a menor e a maior nota concedidas, em cada um dos nove quesitos em julgamento. As agremiações tiveram um tempo mínimo de 60 minutos e máximo de 70 minutos para desfilar. Cada minuto faltante ou estourado resultará na perda de um décimo.

SÃO PAULO

Mancha Verde vence Carnaval pela 2ª vez.

Cinco primeiras agremiações retornam à avenida na próxima sexta-feira (29) para o desfile das campeãs

A Mancha Verde venceu, nesta terça-feira (26), o grupo especial do Carnaval de São Paulo. Esse é o segundo título da agremiação ligada à torcida da Sociedade Esportiva Palmeiras.

O enredo da escola foi a água, que conduz a vida, que germina as sementes, que cobre mais de 70% do planeta e do corpo humano. Inspirado pela canção “Planeta Água” de Guilherme Arantes, o desfile irá conscientizar para o consumo racional do bem natural, bem como sua importância no cotidiano e em plantações e lavouras.

Foram celebradas ainda as águas de Iemanjá, a orixá que conduz a preciosidade e é a rainha do mar. Antes de iniciar seu desfile, a Mancha teve um susto. Parte do braço de uma das alegorias do abre-alas quebrou. Isso fez com que a escola entrasse na avenida com o cronômetro já marcando quatro minutos.

Mesmo assim, os integrantes da escola conseguiram achar uma solução para o problema, consertando o carro e terminando o desfile dentro do tempo permitido de 65 minutos.

Duas escolas foram punidas. A Colorado do Brás perdeu 0,5 ponto por propaganda durante o desfile. A Acadêmicos do Tatuapé também perdeu 0,5 ponto por problema na segunda alegoria, que emperrou e só saiu do lugar com ajuda de dezenas de integrantes e até de um trator.

A Colorado acabou sendo rebaixada para o grupo de acesso 1, junto com o Vai-Vai, que ficou em último lugar. O Tatuapé conseguiu escapar do rebaixamento por dois décimos.

A menor nota de cada quesito era automaticamente descartada pelo regulamento. São quatro jurados por quesito: harmonia, metre-sala e porta-bandeira, enredo, evolução, bateria, fantasia, alegoria, samba-enredo e comissão de frente.

Harmonia foi totalmente equilibrado, com a maioria das escolas tirando nota dez e fechando com os 30 pontos totais. Em mestre-sala e porta-bandeira, muitas escolas pegaram notas menores, com destaque para o Vai-Vai, que fechou em 29,6. Em enredo, a média de notas máximas foi mantida.

Em evolução, a variação de notas foi constante, com a Rosas de Ouro conseguindo apenas 29,7. Bateria a dominância foi de notas dez. Em fantasia, muitas escolas gabaritaram, como a Mancha Verde, Unidos de Vila Maria, Dragões da Real e Mocidade Alegre. Em alegoria, os Gaviões da Fiel ficaram com a pior soma, chegando apenas a 29,6.

No samba-enredo, todas as escolas gabaritaram, exceto o Vai-Vai. Em comissão de frente, primeiro critério de desempate, Mancha e Mocidade ficaram empatadas. A decisão ficou apenas no terceiro critério, que foi alegoria, com a escola da Zona Oeste conquistando a vitória.

As cinco primeiras colocadas retornam ao Sambódromo do Anhembi, na próxima sexta-feira (29), para o desfile das campeãs. Junto, estarão a vencedora do grupo de acesso 2, e a vencedora e vice do grupo de acesso 1.



Fonte: CNN Brasil.

Conjunto dos Bancários ganha Arena Poliesportiva da Prefeitura de Natal

 

Crédito da Foto: Joana Lima.


Mais um equipamento público voltado à promoção da qualidade de vida, incentivo à prática esportiva e integração da população foi entregue nesta segunda-feira (25) pelo prefeito de Natal, Álvaro Dias. A arena poliesportiva do Conjunto dos Bancários, no bairro Pitimbu, zona Sul da capital potiguar. A área multiuso conta com uma quadra que foi totalmente reformada e um espaço exclusivo para os amantes dos esportes de areia. 

A quadra poliesportiva recebeu pintura completa, teve o piso recuperado, novos alambrados, traves, tabelas e iluminação. Essa foi a terceira quadra entregue pela gestão municipal em menos de 45 dias. Do ano passado até abril deste ano, foram 16 quadras esportivas completamente reformadas pela Prefeitura de Natal.

“Nossa gestão tem um compromisso claro com a promoção de ações que gerem mais qualidade de vida, tragam integração e incentivem a prática esportiva. Estamos entregando essa Arena Multiuso moderna e de alta qualidade. Fico muito feliz e satisfeito de ver a população utilizando esse patrimônio que é dela. Vamos continuar investindo e dotando a nossa cidade de espaços como esse”, destacou o prefeito Álvaro Dias. 

Os investimentos da administração na região de Cidade Satélite e Planalto mereceram uma menção especial do chefe do executivo municipal que lembrou da reforma da praça Mãe Peregrina, da entrega de 1.792 apartamentos do empreendimento Village de Prata e por último falou do projeto do Hospital Público Municipal que está em fase de licitação e será erguido ao lado da UPA Satélite .

Seguindo o planejamento de entregas de reformas de quadras, pela Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (SEL), estão previstas as quadras poliesportivas no Conjunto Bela Vista, no Planalto, e no Conjunto Monte Belo, em Neópolis. A Prefeitura também está recuperando os campos de futebol de diversas comunidades. Nos próximos dias, a reforma do Campo de Futebol do bairro de Felipe Camarão será entregue.

“Essa era uma intervenção aguardada por toda a comunidade esportiva da cidade. Nossa gestão assumiu esse compromisso e vai entregar um campo renovado, com a implementação de um novo gramado, sistema de irrigação modernizado e com iluminação em LED”, comentou a secretária municipal Esporte e Lazer , Jódia Melo.


ELEIÇÕES 2022 - Contestado por bolsonaristas, método de pesquisas eleitorais é confiável.

 

Pesquisas eleitorais são frequentemente criticadas e têm seus métodos questionados por políticos, especialmente por aqueles que não gostam dos resultados apresentados.

Desta vez, foi alvo de bolsonaristas e apoiadores do governo, que reclamaram da quantidade de entrevistados da mais recente pesquisa Ipespe. Ela coloca o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) novamente na liderança isolada. Levantamento da FSB de hoje também mostra o petista à frente.

O general Augusto Heleno postou em seu perfil no Twitter que "em um país de 149 milhões de eleitores" só foram entrevistadas mil pessoas por telefone.

Mas, quando se trabalha com amostragem e estatística, é normal fazer esse tipo de projeção, desde que considerada a realidade populacional de um país, ou seja, respeitando a mesma equivalência entre sexo, gênero, raça, entre outras características.

Os institutos têm como metodologia um sistema de cotas proporcionais à população, com base nos últimos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

"Um grupo de pessoas sempre indicará uma tendência, um comportamento. Ao pegar essa amostra e ter conhecimento básico de alguns programas, é possível colher [o posicionamento] de 2.000 pessoas e projetar essa tendência para 200 mil, 200 milhões ou até ao infinito", diz o estatístico André Calaça.

O professor Glauco Peres da Silva, coordenador do Grupo de Estudos Eleitorais do Neci (Núcleo de Estudos Comparados e Internacionais) da USP (Universidade de São Paulo), ressalta a importância desse critério.

"É preciso ouvir, da forma mais aleatória possível, uma quantidade de pessoas que vão compor um perfil mais próximo da realidade do todo do eleitorado brasileiro", explicou Silva. "Só assim o resultado da pesquisa vai refletir o mais fielmente possível a opinião de todos."

Já o estatístico Neale Ahmed El-Dash, que estudou métodos de pesquisa durante seu doutorado na USP e é responsável pelo agregador de pesquisas do UOL, afirmou que existem números mínimos para um levantamento eleitoral. Um levantamento feito com menos de mil entrevistas, segundo ele, é pouco crível.

Transparência

Além disso, outras questões são bastante importantes. Por exemplo, a transparência. Todo instituto que realiza pesquisas minimamente críveis precisa informar quantas pessoas ouviu em seu levantamento, em que dias elas foram ouvidas, como elas foram abordadas, que perguntas foram feitas a elas e quem pagou pelo levantamento.

O TSE, inclusive, exige que esses dados sejam registrados junto ao órgão pelos institutos de pesquisa que realizarem levantamentos sobre intenção de voto durante o ano eleitoral buscando garantir a qualidade das informações divulgadas.

De acordo com o professor Oswaldo Amaral, diretor do Cesop (Centro de Estudos da Opinião Pública), da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), quanto mais se sabe como a pesquisa foi realizada, mais é possível confiar nos seus resultados.

"É possível divulgar além dos dados exigidos pelo TSE", complementou Aranha. "Quanto mais um instituto expõe sua metodologia, sua forma de trabalho, mais confiável ele é."

Prós e contras

Construída uma amostra adequada, é hora abordar os entrevistados. Cada instituto tem uma forma de fazer esse trabalho. Não existe, a princípio, uma forma certa ou errada de fazê-lo, mas as diferenças entre elas podem ter impactos nos resultados.

No Brasil, a forma mais tradicional de realizar pesquisas é com entrevistas pessoais. Há institutos, como o Ipec, que vão até a casa do eleitor, e aqueles, como o Datafolha, que o abordam enquanto ele passa por um certo ponto da cidade. Em pesquisas eleitorais, geralmente os nomes dos candidatos são apresentados num disco de papel para que nenhum candidato apareça como primeira ou última opção de uma lista estabelecida.

Há especialistas que consideram a abordagem presencial mais isenta. Há outros que veem limitações. "Há condomínios de alto padrão em que um pesquisador não entra, assim como há locais em que a insegurança impede o acesso", ressaltou El-Dash.

Ele disse que, mais recentemente, no Brasil, institutos de pesquisas têm realizado levantamentos por telefone, como o PoderData. Isso elimina as dificuldades de acesso de pesquisadores, mas obriga que candidatos sejam apresentados em lista e faz com que eleitores sem telefone nunca sejam ouvidos no levantamento.

"Já as pesquisas por email ou via site só abordam quem acessa a internet", completou El-Dash. "A internet é a forma menos confiável de realizar levantamentos."

Reputação a zelar

O pesquisador e coordenador do Conselho de Opinião Pública da Abep (Associação Brasileira das Empresas de Pesquisas), João Francisco Meira, acrescentou também que institutos com anos de trabalho, em tese, podem ser considerados mais confiáveis.

"Um instituto vive de sua reputação. Se uma empresa está há anos sendo contratada para realizar pesquisas eleitorais, é porque ela deve fazer um bom trabalho", disse Meira. "Claro que há novos institutos sérios, mas o histórico de pesquisas é um bom indicador."

Meira lembra que uma pesquisa nacional sobre intenção de votos para presidente chega a custar R$ 400 mil, pois envolve entrevistas com até 9.000 pessoas, em mais de 300 municípios. Segundo ele, institutos de pesquisas que não realizam levantamentos confiáveis dificilmente conseguem vender um serviço tão caro a alguém.

"Instituto que realizam pesquisas divulgadas por emissoras de televisão e jornais, por exemplo, têm seus resultados expostos para checagem de qualquer um", acrescentou Amaral, do Cesop-Unicamp. "Têm resultados historicamente mais confiáveis."

Autorregulação

Meira, da Abep, disse que empresas que são filiadas à entidade estão sujeitas a auditorias da associação. Por isso, precisam realizar levantamentos com metodologias alinhadas às melhores práticas e, assim, teoricamente mais confiáveis.

Ele, novamente, ressalta que há institutos confiáveis que, por diferentes razões, decidem não se vincular à Abep. Desta forma, não estar filiado à entidade não é um sinal automático de má qualidade de pesquisas ou de manipulação de dados.

O próprio site da Abep (https://www.abep.org/) informa, no diretório de filiados, que empresas estão sujeitas à autorregulação do setor de pesquisas.

"Nos EUA, essa autorregulação funciona muito bem", complementou El-Dash. "Acho que esse tipo de controle pode funcionar no Brasil também."

Os conselhos regional e federal de estatística também monitoram e fiscalizam as pesquisas eleitorais. O trabalho, contudo, não é simples e não consegue dar conta de todos os levantamentos sobre intenção de voto realizados no país, segundo Maurício Gama, presidente do Confe (Conselho Federal de Estatística).

"Para ter certeza de que uma pesquisa foi realizada adequadamente, teríamos de acompanhar todas as entrevistas. São inúmeras pesquisas sendo realizadas em ano eleitoral. É um trabalho impossível de se realizar", admitiu Gama.

Comparar levantamentos ajuda

El-Dash disse que uma boa forma de atestar a confiabilidade de resultados de pesquisas eleitorais é fazendo comparações. De acordo com ele, se cinco institutos mostram uma realidade semelhante e um sexto tem dados destoantes, é grande a chance de esse instituto ter cometido erros em sua pesquisa.

Por isso, ele recomenda que os leitores sempre verifiquem mais de uma pesquisa para acompanharem a corrida eleitoral. E que desconfiem de resultados atípicos. "Se uma pesquisa mostra um candidato com 20% das intenções de voto e outra mostra esse candidato com 30%, é grande a chance de a realidade estar em 25%", explicou.

"Quanto mais informação e pesquisas disponíveis, melhor", ratificou o Meira, da Abep. "O conjunto de dados traz informações mais confiáveis ao eleitor."

Pesquisa é cenário naquele momento

Amaral, do Cesop-Unicamp, ainda destaca que pesquisa eleitoral é "não é ciência exata" nem serve para prever o futuro. O levantamento, na verdade, busca apresentar as intenções de votos num determinado período.

Assim, não é porque um instituto informou em julho que um candidato tinha 15% das intenções de voto que, em outubro, na urna, ele deve ter os mesmos 15% de votos. De julho a outubro, muita coisa pode acontecer e influenciar a alterar a preferência do eleitorado.

Silva, do Neci-USP, lembrou que os resultados de pesquisas por si só já influenciam a intenção de voto dos eleitores. "Há o voto útil", ressaltou. "Um eleitor pode mudar seu voto se uma pesquisa na véspera da eleição apontar que seu candidato não tem chance de ganhar, por exemplo."

"O objetivo de uma pesquisa eleitoral não é o de antecipar os resultados da eleição, mas sim o de mostrar o cenário no momento em que foi realizada", afirma Marcia Cavallari, diretora-executiva do Ipec.


Fonte: UOL.

compartilhe nas redes sociais.