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sábado, 31 de janeiro de 2026

POLARIZAÇÃO - Quatro anos depois, polarização ainda domina eleições, dizem especialistas. Cientistas políticos veem pouco espaço para candidato de centro, caso candidaturas do PT e PL se confirmem.

 

Foto : Levantamento foi realizado em 113 municípios brasileiros • Montagem: CNN / Foto 1: Renato S. Cerqueira/Ato Press/Estadão Conteúdo / Foto 2: CNN

Quatro anos depois do que ficou conhecida como a eleição mais polarizada da história brasileira, os eleitores voltam às urnas em outubro para escolher quem irá comandar a Presidência da República a partir de 2027.

Em 2022, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se enfrentaram em um segundo turno acirrado. Lula saiu vencedor com uma diferença de pouco mais de 2,1 milhões de votos.

Neste ano, com Bolsonaro condenado por liderar um plano de golpe e inelegível, a principal

candidatura da direita deve ser do senador Flávio Bolsonaro (PL), escolhido pelo pai como sucessor.

Já o petista, apesar de ainda não ter oficializado sua pré-candidatura, tem sinalizado que concorrerá à reeleição.

Cientistas políticos consultados pela CNN avaliam que, nesse cenário, a polarização deve marcar novamente o pleito.

"Acho que a polarização se instalou na política brasileira. Não é uma coisa que foi um evento momentâneo. Acho que ela veio, se instalou e a gente vai conviver com essa polarização ainda por muito tempo", aponta Cláudio Couto, professor da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Na avaliação de Couto, a polarização em si não é novidade na política. Segundo ele, ela existe desde que os pleitos presidenciais eram disputados por PT e PSDB. A diferença teria se dado na radicalização do campo da direita.

"O que acaba esticando a distância entre os polos que competem. E digo isso porque do lado esquerdo do espectro nada mudou. Continua sendo o PT", afirma.

Carlos Ranulfo Melo, professor aposentado da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), vai na mesma linha, citando o que se chama de "rejeição cruzada": "Quem é petista é antibolsonarista e o inverso".

Para o especialista, a "única ressalva é que o bolsonarismo está enfraquecido em relação a 2022".

Segundo Ranulfo, há dois principais fatores que corroboram sua tese. Primeiro, ele aponta uma perda de capacidade de mobilização, ou seja, capacidade de reunir pessoas em manifestações. Depois, o cientista político cita o fato de a direita ter mais de um possível representante na disputa.

"Você tem uma divisão que não é pouca coisa. Pode até ser que a candidatura do Flávio não vingue, acho a hipótese menos provável, mas os outros candidatos estão trabalhando. Eles estão entrando com a intenção de ganhar e vão disputar o eleitorado de direita", explica.

No último dia 27, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciou sua filiação ao PSD. Com isso, o partido tem agora três presidenciáveis, contando também os governadores Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ratinho Junior, do Paraná. A expectativa é que o candidato da legenda seja definido até abril.

Além do PSD, o partido Missão, do MBL (Movimento Brasil Livre), também já anunciou que pretende lançar candidato à Presidência. A legenda tenta se colocar como opção para a direita não-bolsonarista.

Apesar de concordar que, caso as candidaturas de Lula e Flávio se confirmem, o país terá uma eleição polarizada, Bruno Bolognesi, professor na UFPR (Universidade Federal do Paraná), acredita que entre a população há espaço para um discurso mais conciliador.

"Você tem um contingente grande de pessoas que não é polarizada; tem um contingente grande de pessoas que é apática, o que não é ruim, o que é saudável para a democracia. Então acho que tem espaço no eleitorado para uma candidatura dessa florescer, mas ela não tem espaço no sistema partidário, no topo das eleições", afirma.

Couto concorda sobre a dificuldade de consolidação de uma terceira via neste momento. Para ele, "é improvável que essa candidatura seja competitiva".

Já Ranulfo é taxativo em avaliar como inviável: "Não tem espaço. O centro está completamente fragilizado".

Além do presidente da República, os brasileiros escolhem neste ano novos governadores, senadores, deputados federais e estaduais. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.

Fonte: CNN Brasil 



 

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